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Conquista

População reclama da falta de médicos nos postos de saúde

Na Câmara de Vereadores, usuários dos postos e unidades básicas de saúde relataram dificuldades no atendimento

01/12/2021 21h57Atualizado há 2 meses
Por: Ailton Fernandes
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População participou da audiência sobre a saúde pública
População participou da audiência sobre a saúde pública

Proposta pelo Conselho Municipal de Saúde e requerida pela Comissão de Saúde e Assistência Social da Câmara de Vereadores, uma audiência pública sobre a situação da atenção básica aconteceu nesta terça (30) no legislativo.

O objetivo principal foi apresentar, a partir de visitas e denúncias, aos vereadores e vereadoras e também ao Poder Executivo, uma avaliação dos serviços e do atendimento ofertado nos postos e unidades de saúde de Vitória da Conquista. A secretária de Saúde, Ramona Cerqueira, participou da audiência com parte da equipe gestora da pasta no público.

A vereadora Viviane Sampaio (PT), que preside a Comissão de Saúde da Câmara, destacou a importância do momento e, após os pronunciamentos dos componentes da mesa, abriu para que a representantes da população pudessem fazer uso da fala na tribuna.

Moradora do Centro Industrial, a jovem Mariana Santos falou sobre as dificuldades da sua localidade. “A gente não tem posto de saúde, nosso posto é extensão do Lagoa das Flores 2, a gente tem atendimento nas quartas-feiras apenas, sendo uma quarta-feira para cada agente de saúde. Não falo dos profissionais, que são bons, mas a gente quer reivindicar um posto de saúde. Estou grávida do meu segundo filho e eu nunca fiz uma ultrassonografia marcada pelo posto porque é uma vaga, pediatra também é uma vaga para cada agente de saúde, isso é uma vergonha!”, relatou. “A gente é esquecido!”

O senhor Josué, morador do distrito do Pradoso, disse que cada agente de saúde da sua região tem de 300 a 400 famílias para atender e apenas um médico para as 13 comunidades. “É impossível atender essa quantidade de gente. É desumano. A minha sugestão é que colocasse mais um médico, para quando um atender no Pradoso o outro ir nas comunidades”, propôs.

Membro do conselho, Deusdete Oliveira também narrou suas dificuldades. “Eu sou defensor da saúde básica, é lá que começa o SUS. Recentemente, eu fiquei dois meses atrás da fita e da agulha de diabetes aqui em Conquista. Mas o diabético não precisa apenas da lanceta, ele precisa de um atendimento digno, precisa de infectologista, de nutricionista, de cardiologista, de uma equipe com responsabilidade. Nossa periferia está desassistida. Na zona rural, o médico vai uma vez no mês. Não dá conta! Não tem condições. Precisa aumentar as equipes. Os médicos estão cansados”, afirmou.

A secretária Ramona reconheceu as dificuldades e destacou os desafios impostos pela pandemia. “Entendemos as dificuldades da atenção básica, que são enormes. A gente entende que a população precisa sim de médico na unidade, mas nós temos que buscar estratégias. Fizemos três seleções para médico e não tivemos sucesso”, disse. 

Dos vereadores da bancada de situação, apenas Chico Estrela (PTC), líder da prefeita Sheila, participou da audiência. Os vereadores Ricardo Babão (PCdoB), Valdemir Dias (PT) e Alexandre Xandó (PT) também participaram.