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Saúde

Pesquisadores investigam motivos para queda na cobertura vacinal de crianças brasileiras

Segundo pesquisa, o índice médio de vacinação no Brasil está em 67%, abaixo do ideal, que é entre 90 e 95%

14/05/2022 15h45
Por: Redação
Fonte: JN
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Levantamento mostrou que há dificuldades para conseguir atendimento em um posto de saúde
Levantamento mostrou que há dificuldades para conseguir atendimento em um posto de saúde

Uma questão delicadíssima para a saúde é a queda na chamada cobertura vacinal das crianças brasileiras. A pedido do Ministério da Saúde, pesquisadores investigaram o porquê desse descaso.

Mais um carimbo na caderneta de vacinação de Gabriel, o que, para a mãe, a cabeleireira Patrícia Rodrigues de Lima, dá aquela sensação de dever cumprido. “Não pode deixar de dar as vacinas. Eu tomo esse cuidado porque é muita doença”, conta.

Mas o país, que é referência mundial na vacinação desde os anos de 1970, corre o risco de perder conquistas importantes. Os primeiros resultados de uma das pesquisas mais completas sobre imunização de crianças mostram que estamos vacinando menos. O índice médio de vacinação no país está em 67%, abaixo do ideal, que é entre 90 e 95%.

O levantamento foi feito por pesquisadores de São Paulo, Brasília e Bahia, a pedido do Ministério da Saúde, nas 27 capitais e em 11 cidades do interior.

Eles visitaram 31 mil famílias e perguntaram a quem deixou de vacinar qual foi o motivo: 18,2% das famílias afirmaram ter medo de reações, e 14% declararam que vacinas para doenças que não existem mais são desnecessárias.

O epidemiologista José Cássio de Moraes, responsável pela pesquisa, diz que, por trás dessas crenças erradas, estão as notícias falsas. “A verdade vai se estabelecer quando a gente divulga dados confiáveis para a população. Então, acho que é um ponto vital para o programa é que se melhore, que faça uma comunicação atingindo todos os tipos de meio de divulgação”, destaca.

A resistência de alguns pais às vacinas é só uma parte do problema. O levantamento mostrou que a dificuldade para conseguir atendimento em um posto de saúde também tem sido uma barreira para melhorar os índices de vacinação: 28% das famílias ouvidas na pesquisa disseram que levaram as crianças, mas foram obrigadas a voltar para casa sem que elas recebessem as vacinas necessárias.

O motivo mais citado para ir embora foi a falta de vacinas no posto e também salas de vacina fechadas, falta de profissionais de saúde, não era o dia da vacina, e tempo de espera muito longo. “A gente tem que chegar cedo toda vez que for tomar uma vacina porque, se chegar tarde, não tem mais. Não consegue”, diz a dona de casa Jéssica Felipe Neris.

De 15 vacinas pesquisadas, 11 ficaram abaixo dos 90% de adesão e, no caso das vacinas com mais de uma dose, muita gente deixa de fazer o esquema completo. A tríplice viral - que previne contra sarampo, rubéola e caxumba - chega a quase 92% na primeira, mas cai para 85% na segunda dose.

A consequência da baixa vacinação já se viu em 2019, quando o Brasil perdeu a certificação de país livre do sarampo.

Agora, a principal preocupação é com a poliomielite - doença que causa a paralisia infantil e que está erradicada no Brasil desde 1989. O percentual médio de vacinação, que deveria ficar em 95%, está em 82%.

“Nós temos um grande volume de crianças que podem se infectar com o vírus da pólio, e uma parcela delas vai ter um quadro de paralisia infantil, o que seria muito triste no Brasil, com todas as vacinas que são aplicadas, retomarmos ao século passado”, enfatiza o pesquisador responsável pelo estudo.

Pai com a filha na sala de vacina, mãe de coração apertado do lado de fora. Mas Melissa levou numa boa. Chorou bem pouquinho e, segundos depois, já tinha encontrado uma distração – microfone da repórter. “Tem coisa que está erradicada e, por um descuido, acaba deixando algo tão prejudicial assim para a saúde da criança. É a vida dela, né? Então, não pode, vacina sempre aí, pessoal”, diz o pai, Leandro Ibanez.