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Poesia

O começo do fim

Texto de Luiz Carlos Figueiredo

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13/01/2022 14h00Atualizado há 2 semanas
Por: Redação
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Dos confins do Vale da Morte

Incrustrada em seu preto alazão

Conduzindo o tabuleiro da sorte

Bem erguido em uma das mãos

Vem a Velha da Foice e o chicote

Condenando este imenso mundão!

 

Cavalgando excitada e feroz

Com o seu vírus espalhando no ar

Provocando desespero e fobia

Com a lâmina da foice a rasgar

As entranhas dos mais vis pensamentos

Berros e gritos a se ressonar

 

Nesta altura estão todos no barco

Não importando negro, branco ou doutor.

Engravatado atrela ao favelado

Todos cumprem o que se determinou

Entendidos abraçando homofóbicos

Belo quadro de sinistro pavor

 

O valente abraçado ao covarde

O metido a quem discriminou

A madame chorando nos ombros

Da empregada que um dia xingou

O letrado tomando umas aulas

Do velhinho que nunca estudou

 

E o dinheiro sem utilidade

Onde a importância não vale um vintém

Todos fugindo do ímpeto da morte

Se agarrando ao que lhe convém

Nesta altura tem cristãos iludidos

E os ateus gritando amém

  

Quarentena é o remédio da hora

A loucura prefere esperar

O contágio presente no espírito

A esperança esvaindo no ar

E a certeza que este povo iludido

Só esperam a hora chegar

 

De Luiz Carlos Figueiredo, escritor cândido-salense, autor de "Bugalho de dentro" e “As Histórias Extraordinárias do Porto de Santa Cruz”