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Brasil

Pesquisa revela desigualdades na imunização contra a Covid

Segundo o levantamento, apenas 16% dos municípios apresentam mais de 80% da população com esquema vacinal completo

13/01/2022 10h50
Por: Redação
Fonte: CNN Brasil
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Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (ICICT/Fiocruz) revela distorções na cobertura vacinal da Covid-19 no território brasileiro. De acordo com o levantamento, apenas 16% dos municípios apresentam mais de 80% da população com esquema vacinal completo. O maior percentual de pessoas vacinadas corresponde às cidades com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais alto, segundo a Fiocruz.

De acordo com o estudo, regiões Sul e Sudeste apresentam elevado percentual da população imunizada, já áreas da região Norte, Nordeste e Centro-Oeste ainda apresentam bolsões com baixa imunização para Covid-19. Os estados do Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Roraima e Sergipe não apresentaram municípios com mais de 80% da população totalmente imunizada, considerando a data em que foi feita a pesquisa.

O estudo observou uma queda de quase 20% na cobertura da primeira dose, de acordo com o nível de desenvolvimento dos municípios. Na primeira dose, o grupo de municípios com IDH muito alto apresentava percentual de imunização de cerca de 80%, enquanto no grupo de municípios com IDH baixo, esse percentual é de 60%.

Na segunda dose, o grupo de municípios com IDH muito alto apresenta cerca de 70% da população com esquema vacinal completo, enquanto no grupo de municípios com IDH baixo, é cerca de 50%. Em relação à terceira dose, o grupo de municípios com IDH muito alto apresenta cerca de 10% da população imunizada. Já no grupo de municípios com IDH baixo esse percentual é de somente 2,5%.

Para o pesquisador do ICICT/ Fiocruz, Christovam Barcellos, além da falta de informação, também existem problemas na distribuição dos imunizantes em regiões de difícil acesso, como no Norte do país.

“Tem muito o quesito falta de informação, mas esse não é o principal motivo para essa desigualdade. O grande problema é a falta de infraestrutura desses locais. Além disso, os estados estão falhando na distribuição das vacinas. Aqui no Rio de Janeiro e em São Paulo, por exemplo, temos postos de saúde em qualquer esquina. Em outras regiões, quando há uma tenda de vacinação, normalmente ela não tem imunizante suficiente para todos. A infraestrutura é o maior desafio do Brasil, porque vontade de se vacinar o brasileiro tem – afirma o pesquisador.

No Sul do país, apenas 30% dos municípios apresentam mais de 80% da população com as duas doses, já na região Sudeste este percentual é de 27,2%, no Centro-Oeste 11,8%, Nordeste 2,7% e na região Norte, apenas 1,1% dos municípios apresentavam esquema vacinal completo.

A falta de infraestrutura em algumas cidades do país também provocou uma espécie de “migração da vacina”, quando a população da região busca a imunização em municípios vizinhos. Isso explica, segundo o pesquisador, a diferença do percentual de vacinação entre algumas cidades próximas. O estudo revela que esse fluxo de pessoas procurando por vacinas em outros municípios acontece, principalmente, em regiões metropolitanas.

“As pessoas querem se vacinar, mas existem muitos locais no Brasil onde a vacinação contra Covid-19 não chega de maneira apropriada. É curioso porque em determinadas regiões tem uma cidade que tem uma taxa de vacinação altíssima e nos municípios vizinhos essa taxa é muito baixa. Isso mostra que a população sai da sua cidade para ir em um município maior para se vacinar” diz o cientista.

Até o dia 8 de novembro de 2021, 74,95% da população tinha recebido a primeira dose, 64,78% completaram o esquema vacinal e 9,04% receberam a dose de reforço da vacina. Desde então, o Ministério da Saúde não disponibiliza dados sobre a vacinação contra Covid-19. O documento ressalta ainda que essa instabilidade no sistema compromete as análises e a criação de subsídios para a tomada de decisão.

Entre países - Apesar do avanço da vacinação no Brasil, países da Europa que apresentaram percentuais de esquema vacinal completo semelhantes tiveram que aumentar as restrições durante as férias de verão. A Alemanha com mais de 63% da população com o esquema vacinal completo, Itália (67%), França (65%) e Áustria (60%), observaram crescimento de casos e retrocederam no relaxamento das medidas. Nestes países, no período citado, sequer existia uma ameaça da nova variante Ômicron.

O estudo aponta ainda uma preocupação com a nova cepa e cita o relaxamento das medidas restritivas, a falta do uso de máscara por parte da população e a realização de grandes eventos como questões que podem causar o aumento da transmissão comunitária.