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Depoimento

"Bastou um deslize para boa parte de minha família pegar Covid"

Ninguém teve sintomas graves, devido à vacinação.

Conversa de Balcão

Conversa de BalcãoDicas, críticas e curiosidades culturais - para beber, beliscar e jogar conversa fora.

11/01/2022 15h52
Por: Redação
Fonte: Revista Piauí
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Sou dentista, especificamente odontopediatra e ortodontista. Leciono na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e trabalho tanto no consultório de lá quanto no meu. Em 2020, nos dois primeiros meses da pandemia, não atendi nenhum paciente. A partir do terceiro mês, retomei lentamente as atividades no consultório particular, priorizando as urgências. No da universidade, só voltei aos atendimentos em setembro daquele ano. Foi uma correria, pois eu precisava recuperar o semestre perdido. Retornar ao campus me deu medo, apesar de a Ulbra seguir todos os protocolos sanitários.

Nesse período, integrei a comissão de biossegurança da faculdade. Por isso, estudei muito sobre as medidas para evitar a disseminação do coronavírus em ambientes fechados. Quase não tivemos contaminação nas salas de aula e, no consultório, não houve nenhum caso. Obviamente, acabei levando todo esse aprendizado para casa. Por quase dois anos, nem eu nem minha família pegamos a Covid-19. Nós seguimos com rigor cada um dos protocolos.

Foi só recentemente que começamos a relaxar um pouco, já que estávamos vacinados (eu tomei até a terceira dose). No último dia 21 de dezembro, me encontrei com minha turma de faculdade para comemorar 34 anos de formados. Jantamos numa churrascaria de Porto Alegre, cidade onde moro. Estávamos em treze pessoas. Quando entrei no restaurante, gelei. Fazia tempo que não via tanta gente reunida. Tive uma impressão ruim, mas resolvi ficar.

Dois dias depois, uma colega que participou do jantar me enviou uma mensagem pelo celular: “Testei positivo para a Covid.” Até então, eu não sentia nada. No dia 24 de dezembro, acordei com uma discreta dor de garganta, mas atribuí o incômodo ao ar-condicionado.

A ceia de Natal foi na minha casa. Reuni oito parentes: meu marido, meus três filhos, meus pais de 86 anos, minha irmã e meu sobrinho. Na manhã seguinte, despertei com a mesma dor de garganta e muito cansada. À tarde, tive febre. Me testei em casa mesmo, pois já possuía os kits necessários. Deu positivo. Corri à emergência de um hospital para me informar se precisaria fazer outro exame, e o médico me orientou a somente controlar os sintomas com medicação e permanecer em quarentena durante dez dias.

Pouco depois de eu testar positivo, um dos meus filhos também manifestou febre, e meu pai apresentou sintomas gripais. Minha filha, que tinha ido passar o Ano-Novo na praia, ligou dizendo que estava febril. No dia 30 de dezembro, foi a vez do meu marido: ele teve febre alta e muita tosse. Das nove pessoas que estavam na ceia, só três não contraíram o vírus.

Foi um tsunami! Fiquei bastante ansiosa, sobretudo em relação a meus pais. Havia dias em que eu até chorava. Mas agora já estamos bem. Como todos nós nos vacinamos, tivemos sintomas leves. Portanto, viva a vacina! Os imunizantes não impedem a contaminação, mas realmente evitam que a doença se agrave.

Eu e minha família nos cuidamos muito por praticamente dois anos, mas bastou um deslize para a gente se infectar. Não adianta pensar que, se já tomou a vacina, pode liberar tudo. Ainda enfrentamos uma pandemia e precisamos continuar atentos, sem jamais menosprezar a ciência. Daqui a pouco, o coronavírus estará sob controle, mas provavelmente vai aparecer outro micro-organismo perigoso. O que aprendemos agora será de grande utilidade no futuro.

Simone Helena Ferreira - dentista e professora universitária em Porto Alegre (RS), em depoimento a Amanda Gorziza